Nos últimos anos, muitas marcas abraçaram o minimalismo como estética padrão: linhas limpas, cores neutras e simplicidade como mantra. Porém, o que antes foi tendência e símbolo de modernidade acabou se tornando um problema, porque virou regra. Com isso, diversas identidades começaram a se parecer demais entre si.
O que as marcas buscavam: destaque e reconhecimento, acabou se transformando em um cenário oposto: identidades genéricas e facilmente confundíveis em um mar de logotipos simplificados.
A partir dessa saturação, um novo movimento vem ganhando força: marcas revisando seus rebrandings minimalistas e buscando novamente personalidade, impacto e memorabilidade, características que o maximalismo visual entrega com intensidade.
Como o minimalismo se tornou o padrão do mercado?
O minimalismo surgiu como resposta ao excesso visual das décadas anteriores. A ideia era simples: remover o supérfluo e destacar apenas o essencial. A abordagem funcionou muito bem, especialmente quando grandes marcas buscavam modernização e adaptabilidade no ambiente digital.
Com o tempo, porém, a estética virou fórmula. Muitas empresas passaram a adotar o minimalismo por segurança, acreditando que “menos é mais” resolveria tudo, e isso contribuiu para a padronização visual do mercado.
Douglas Fontella, Diretor de Arte e Head de Criação na Agência S3, explica: “O conceito minimalista sempre teve uma pegada luxuosa e misteriosa, com comunicação segmentada. Começou nas grandes marcas de grife e nas gigantes digitais (culpa da Apple), que fizeram uma faxina na identidade, comunicação e layout das lojas, indo contra o convencional do popular.”
Mas por que o minimalismo virou um lugar-comum?
Porque:
É fácil de aplicar em diferentes plataformas;
Funciona bem em telas pequenas;
Remete à modernidade e tecnologia;
Minimiza ruídos visuais;
É uma escolha “segura”.
Mas exatamente essa segurança transformou o minimalismo em algo previsível. E quando todas as marcas parecem iguais, o branding perde força.
Como Douglas também pontua: “Ao invés de implantarem o minimalismo de verdade (foco na essência), criaram a “comunicação vazia com visual limpo”. Refizeram logos e adaptaram fachadas, mas não se conectavam com o próprio público. As postagens ficaram genéricas. [...] Essa comunicação funciona apenas para marcas que são estratégicas.”
O retorno do maximalismo
Com consumidores hiperestimulados e mais exigentes, muitas empresas perceberam que a simplicidade extrema deixou de comunicar a essência da marca. Assim, o maximalismo ressurge como alternativa vibrante e expressiva, trazendo de volta:
Riqueza de detalhes;
Tipografia marcante;
Cores intensas;
Formas ousadas;
Narrativa emocional mais forte.
Douglas complementa: “A nova geração rejeita a perfeição millennial. Eles valorizam o caótico, o real e o feito por humanos. O maximalismo recupera autenticidade, essência e diferenciação.”
Caso Jaguar: quando o minimalismo elimina a personalidade
Em 2024, a Jaguar apresentou uma nova identidade visual minimalista, com tipografia leve e letras minúsculas, abandonando o famoso felino saltador, símbolo histórico da elegância e exclusividade dos automóveis.
O redesign rompeu com toda a herança visual construída ao longo de décadas. Apesar da intenção de modernizar, o público reagiu negativamente: a nova marca foi percebida como genérica e pouco reconhecível.
Neste caso, o minimalismo apagou a personalidade que diferenciava a Jaguar no mercado automotivo.
Caso Pepsi: resgate histórico como estratégia
Já a Pepsi seguiu o caminho oposto: trouxe de volta elementos clássicos dos anos 80 e 90, ativando memória afetiva e reforçando o impacto visual. O novo logo mantém o globo tricolor, mas moderniza com:
Cores mais vibrantes;
Tipografia em caixa alta;
Borda destacada;
Composição mais robusta.
Aqui, o maximalismo não significa barulho visual, mas sim expressividade estratégica.
A Pepsi entendeu que resgatar sua história gera reconhecimento imediato e conexão emocional.
Então agora todas as marcas devem voltar ao maximalismo?
Não. Ambos os estilos são válidos, desde que façam sentido para:
A proposta de valor;
O público;
O posicionamento estratégico;
O contexto competitivo.
O ideal não é seguir tendências, mas entender qual estética traduz melhor a essência da marca.
Minimalismo e maximalismo não são rivais, são caminhos estratégicos. O essencial é entender qual deles traduz melhor a essência da marca, sua história e a relação que deseja estabelecer com o público.
Se quiser descobrir qual estética expressa melhor a personalidade da sua marca, fale com a S3!